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Opinião | A miopia da The Economist ao comparar Lula com Biden e a ilusão sobre Tarcísio.

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    Zull Ramos
  • 1 de jan.
  • 3 min de leitura


Opinião | A miopia da The Economist ao comparar Lula com Biden e a ilusão sobre Tarcísio.

Revista britânica erra feio ao ignorar a vitalidade política de Lula, mas acerta ao lembrar que o tempo passa. O perigo real, no entanto, mora na sugestão de "alternativas" que carregam o DNA do extremismo.


Por Zull Ramos

O ano de #2026 mal começou e já fomos brindados com uma análise vinda de Londres que movimentou os bastidores de #Brasília. A tradicional revista The Economist decretou: Lula não deveria concorrer à reeleição. O argumento central? O medo de que o Brasil repita o cenário norte-americano, comparando o nosso presidente ao ex-mandatário dos EUA, #JoeBiden.


No papel e nas planilhas de Londres, a comparação pode parecer lógica. Na realidade brasileira, porém, ela soa como preguiça intelectual.


Dizer que Lula é o "Biden brasileiro" é ignorar o que nossos olhos veem diariamente. Joe Biden, em seus últimos meses de campanha, apresentava sinais claros e inegáveis de debilitação física e cognitiva. O mundo viu um líder que travava em discursos, trocava nomes e parecia perdido no palco. Lula, goste-se ou não dele, é um animal político de outra espécie.


Aos que acompanham a política nacional de perto, a diferença de "qualidade" e capacidade é gritante. Lula mantém uma retórica afiada, negocia com o Congresso, viaja o mundo e discursa por horas sob o sol do Nordeste sem perder o fio da meada.


Enquanto Biden parecia lutar para terminar o dia, Lula parece lutar para que o dia tenha mais horas. Comparar a atual lucidez de Lula com o declínio visível de Biden é injusto e desconectado dos fatos.


Contudo, a defesa da capacidade de Lula não pode nos cegar para a biologia. A The Economist erra na comparação, mas toca numa ferida real: a idade avançada.


Um mandato presidencial no Brasil é uma máquina de moer gente. Iniciar um novo ciclo aos 80 anos é, sim, um ponto negativo que precisa ser pesado na balança. O corpo cobra a conta, e apostar todas as fichas em um único nome, sem renovação à vista, é um risco estratégico que o campo progressista insiste em correr.


Mas se a revista erra ao diagnosticar o paciente, ela erra ainda mais ao receitar o remédio.


Ao sugerir que Tarcísio de Freitas (Republicanos) seria a alternativa "sensata" e de "centro-direita" para o país, a publicação ignora a árvore genealógica política do governador de São Paulo. Tarcísio não é uma terceira via imaculada; ele vem de uma linhagem direta do bolsonarismo.


Tratar Tarcísio apenas como um "técnico moderado" é esquecer que sua ascensão foi pavimentada sobre a mesma base ideológica que flertou com a ruptura democrática há poucos anos. Substituir #Lula por alguém que, embora mais polido, carrega o DNA de um projeto que polarizou e dividiu o país de forma violenta, não parece ser a solução mágica para a "estabilidade" que os investidores estrangeiros tanto desejam.


Em resumo, a The Economist olha para o Brasil com binóculos embaçados. Lula não é Biden; ele tem muito mais garrafa vazia para vender e uma capacidade de articulação que o americano já não tinha. Mas o relógio corre para todos. O Brasil precisa discutir 2026 com seriedade, sem cair no conto do "velhinho debilitado" e muito menos na ilusão de que a solução para o futuro está em voltar para a sombra do passado recente.


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